Chegou a hora do agronegócio liderar o desenvolvimento sustentável: Entrevista com Divaldo Rezende, VP do Instituto Ecológica

O agronegócio brasileiro se encontra em uma jornada longa e árdua, mas já com bons frutos por uma atuação mais sustentável. A pressão do mercado interno e externo, a mudança de mindset dos e das agropecuaristas e a evolução da tecnologia são apenas alguns motivos pelos quais a produção de insumos agrícolas tem buscado metodologias em maior conformidade com o meio ambiente. 

Para aprofundar o assunto, entrevistamos Divaldo Rezende, Vice Presidente do Instituto Ecológica que tem ampla atuação no centro-oeste, o celeiro brasileiro, e desenvolve ali iniciativas de desenvolvimento sustentável e de geração de créditos de carbono. 

 

Divaldo, como podemos conceituar a agricultura sustentável?

É aquela agricultura onde você usa o mínimo de recursos para gerar uma produção adequada e compatível, com menos agrotóxico, menos fertilizante, considerando a conservação da água e do solo, o plantio e a colheita e ainda usando as tecnologias já existentes mais adequadas para que o impacto ambiental seja o mínimo. 

De fato, estudos recentes mostram que áreas com conservação de solo têm produzido quase 68 sacas na produção, sendo que a média é 58, 60. Ou seja, 20% a mais de produção nos casos em que se trabalha a conservação do solo, adubação correta e plantio direto. 

 

E por que a atenção sobre a agricultura sustentável tem crescido? 

A agricultura está pressionada pela opinião pública internacional, especialmente as áreas próximas do Cerrado e da floresta, por menos desmatamento e para que o produto dessas áreas também sejam livres de desmatamento. Isso tem sido uma retórica muito usada e os agricultores têm se adequado a essa situação e tomado medidas enérgicas pela sustentabilidade

O que temos visto como consequência dessa pressão é uma alta demanda por tecnologias de produção, colheita, armazenamento. E essas atividades acabam se transformado em outras oportunidades, como por exemplo, em oportunidades no mercado de carbono. Algumas empresas do setor já vêm investindo nessas tecnologias. 

Outras oportunidades também acontecem com os chamados “títulos verdes” (green bonds) que também podem favorecer o mercado brasileiro dentro da estratégia ESG. Esse conceito tem sido muito usado e substituído o conceito de desenvolvimento sustentável. É um pouco mais abrangente, pois engloba iniciativas sociais e de governança. E não só governança da fazenda, da empresa, do Estado, mas uma governança compartilhada com os diferentes stakeholders

E, na prática, o que o agronegócio brasileiro precisa fazer para ser cada vez mais sustentável? 

O setor tem buscado esse aprimoramento, mostrando que pode ser líder em ações por menos desmatamento. E sob esse aspecto, temos alguns exemplos bem avançados no Brasil. 

Para novas áreas é muito importante começar a incorporar esses conceitos e essas práticas mais sustentáveis como a trocar do plantio convencional para o plantio direto, um sistema diferenciado de manejo do solo que causa menos impacto ao meio ambiente. 

Além disso, trabalhar também a produção, a secagem, as ações complementares que dependem de energia. Quanto mais limpa é a energia, maior é a redução de emissões e isso pode, inclusive, gerar créditos de carbono

O setor precisa visualizar sua completa integração em práticas ESG. Por exemplo, para secar grãos, ao invés de usar combustível, usar biomassa ou um combustível mais limpo. E também olhar a distribuição. Mudar de diesel pra gás, de diesel pra álcool também gera redução. O setor precisa começar uma visão integrada. Sair da caixinha e começar a olhar de forma mais sistêmica. 

 

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