Biomassa: alavanca para o desenvolvimento sustentável no bioma Caatinga

Grande parte do desafio global em termos de sustentabilidade está na procura por fontes de energia renovável sem emissões de carbono. Por isso, podemos dizer que o Nordeste brasileiro é sortudo por ter à sua disposição, como um serviço ambiental valioso e ao mesmo tempo gratuito, os recursos para geração de energia limpa de três tipos: eólica, solar e biomassa.

Tal riqueza, no entanto, é ainda muito pouco aproveitada.

A geração de energia solar e eólica esbarra no montante externo de investimento e tecnologia, que de uma maneira geral, retém de forma limitada os benefícios financeiros e sociais para a região. Já com a biomassa é outra história…

Caatinga | Arquivo Sustainable Carbon

Então vamos falar da biomassa?

A Biomassa nada mais é do que a matéria seca oriunda de matas nativas (como a Caatinga e o Cerrado), além de plantios de eucalipto e cajueiro, que serve para o abastecimento de fornos e caldeiras. Quando a biomassa é extraída de forma legal, como aquela proveniente de Planos de Manejo, tem o diferencial de fornecer energia limpa com emissão neutra de carbono. Isso se dá pois no manejo sustentável o corte é controlado de acordo com o ciclo de crescimento da matéria, proporcionando a restauração da cobertura vegetal no período subsequente.

De acordo com o estudo Biomassa para Energia no Nordeste: atualidade e perspectivas, publicado em 2018 pela Associação Plantas do Nordeste, na Caatinga já existe 0,4 106 hectare sob manejo que fornece 0,7 tMS (toneladas de matéria seca) por ano, ou seja 11% da biomassa energética obtida de fontes legais. No entanto, o bioma tem potencial para muito mais: ainda de acordo com o estudo, é possível manejar até 19 106 hectares e produzir três vezes mais energia do que a demanda existente.

A caatinga é uma fonte de energia renovável, de emissão zero, que se for colocada sob manejo sustentável, pode conservar a cobertura florestal, evitar sua degradação e atender todas as demandas de energia térmica da região NE. (ANPE)

Potencial socioeconômico da biomassa da Caatinga

Além dos seus benefícios ambientais, a biomassa também é fonte importante de um fluxo econômico na região Nordeste do Brasil, carente de oportunidades econômicas e produtivas especialmente em zonas rurais.

Ainda de acordo com o estudo da APNE, apenas a biomassa gera cerca de 35.000 postos de trabalho permanentes, todos os seus insumos são de origem local ou nacional e a geração de empregos é até cem vezes maior que nas unidades eólicas ou solares. ainda que 50% da cadeia opere via fontes ilegais de extração, colocando os trabalhadores em vulnerabilidade.

Por isso, pesquisadores e estudiosos apontam o manejo sustentável como uma alavanca de desenvolvimento para a região do bioma Caatinga, seja por seu potencial em geração de energia sustentável, seja pela importante contribuição socioeconômica.

“A mata nativa do semiárido (caatinga) sob manejo florestal sustentável é a única fonte de biomassa energética legal e sustentável que pode atender a todas as demandas atuais e futuras da região NE”.  (APNE)

Biomassa na prática

Trabalhadores lidam com biomassa na Caatinga | Arquivo Sustainable Carbon

A Sustainable Carbon desenvolve há mais de uma década projetos envolvendo biomassa no bioma Caatinga. Diversos dos nossos projetos, especialmente alocados em cerâmicas vermelhas, geram créditos de carbono a partir da substituição de combustível por biomassa renovável.

Entre 2006 e 2017, por exemplo, evitamos a emissão de cerca de 2.762.298 tCO2e apenas em nossos projetos localizados na Caatinga. Vale a pena conhecer os benefícios socioambientais gerados pelos projetos Assunção, Buenos Aires e Bandeira e Capelli.

AssunçãoA Cerâmica Assunção está localizada no Ceará, a 25 km ao sul da capital Fortaleza, no município de Aquiraz. A fábrica conta com 56 funcionários para produzir dois milhões de tijolos por mês. Por muitos anos, a Cerâmica usou lenha extraída da Caatinga como combustível para queima das peças, o que agravava o desmatamento do segundo bioma mais vulnerável do Brasil.Para contornar esse problema, a empresa investiu em equipamentos e substituiu o uso de lenha nativa por biomassa renovável, como a casca de coco. O resultado foi a redução das emissões de GEEs e a consequente geração de créditos de carbono. Além disso, com dinheiro provindo da venda dos créditos de carbono, a Cerâmica desenvolve projetos que promovem o desenvolvimento sustentável da região
Buenos AiresBuenos Aires é uma Cerâmica produtora de tijolos do interior de Pernambuco. A fábrica utilizava lenha nativa da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, como combustível para produzir peças cerâmicas. Para reduzir seu impacto ambiental, em 2010, a fábrica optou por tornar sua produção mais sustentável.Assim, interrompeu o uso de lenha nativa e investiu em equipamentos que possibilitam a alimentação dos fornos com biomassa renovável, tais como glicerina, algaroba e lenha de plano de manejo.Além disso, as Cerâmicas envolvem e incentivam a participação das partes interessadas, por meio de consultas públicas. O projeto segue o padrão The Gold Standard®, apoiado pela WWF, que, atualmente, é a certificação mais rigorosa a nível mundial para projetos de redução de emissão de GEEs
Bandeira e CapelliBandeira e Capelli são duas Cerâmicas localizadas na cidade de Capela em Alagoas. Juntas, somam 220 funcionários para produzir tijolos, telhas e produtos estruturais cerâmicos. Visando trazer práticas mais sustentáveis para o mercado da construção civil local, o Sr. Frederico deixou de lado a prática comum de usar lenha nativa como energia para os fornos, e optou por biomassa renovável como bambu, casca de coco, poda de caju, algaroba, serragem, capim elefante e lenha de manejo sustentável.Com seu pioneirismo, Sr. Frederico reduziu as emissões de GEEs, e hoje faz parte do mercado internacional de carbono. Além disso, com a renda dos créditos, a cerâmica investe na valorização dos funcionários e em benefícios para a comunidade do entorno.

Compense as emissões de Gases de Efeito Estufa da sua empresa com créditos de carbono provenientes do uso da biomassa renovável.

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